Gestão
A correria do dono: o custo escondido de toda pequena empresa
Numa empresa pequena, quem liga os sistemas às pessoas costuma ser o dono. Essa correria não aparece em nenhum relatório, mas custa caro. Veja como medir a sua em 15 minutos.
São nove da manhã e alguém do atendimento pergunta: "o pedido da cliente já saiu?". A pergunta é simples. A resposta, nem tanto. Alguém precisa abrir o ERP, procurar o e-mail do fornecedor, perguntar no WhatsApp para quem cuida da expedição, atualizar o card da tarefa e, só no fim, responder a cliente. Numa empresa pequena, esse alguém quase sempre é o dono.
Eu chamo isso de correria. Não é o trabalho que você escolheu quando abriu a empresa. É o vai e vem entre sistemas e pessoas para descobrir onde as coisas estão, quem está esperando o quê e o que ficou para trás. E ela tem um custo que quase ninguém mede.
Por que a correria cai no colo do dono
Em empresa pequena, as pessoas são a ligação entre os sistemas. O pedido está no ERP. A promessa do fornecedor está no e-mail de compras. O combinado com o cliente está numa conversa de WhatsApp. O próximo passo está num quadro de tarefas, quando está. Nenhum desses lugares conversa com o outro, e quem liga tudo é a cabeça de alguém.
Com o tempo, essa cabeça vira a sua. Não por falta de gente boa no time, mas porque é você quem sabe um pouco de tudo. O time aprende que perguntar para você é mais rápido do que procurar. E você vira o sistema de busca da empresa.
O custo que não aparece no DRE
A correria não entra em nenhum relatório, mas cobra a conta de outros jeitos:
- Atenção picada. Cada "é rapidinho" interrompe o que você estava pensando. O dia termina cheio e, ao mesmo tempo, sem nada importante resolvido.
- A empresa anda na velocidade do dono. Se você está numa reunião ou de férias, as respostas param. O gargalo não é o time, é o caminho até a informação.
- Promessas guardadas na cabeça. O prazo combinado por telefone, o desconto prometido no corredor, o fornecedor que disse "sai sexta". O que não está escrito depende da sua memória.
- Cliente esperando. Enquanto a informação passa de mão em mão, quem espera do outro lado é o cliente. Às vezes, ele recebe uma data que ninguém confirmou.
Nada disso é culpa de alguém. É o jeito como quase toda pequena empresa cresce: primeiro vem a venda, depois os sistemas, e a ligação entre eles fica por conta das pessoas.
Contratar mais gente resolve?
Às vezes, sim. Uma boa pessoa de operações muda o dia de qualquer dono. Mas repare no que acontece: a pessoa nova vai abrir os mesmos cinco sistemas, fazer as mesmas perguntas e, quando faltar contexto, vai perguntar para quem? Para você.
Contratar ajuda muda a correria de mãos. Não faz a correria sumir.
Eu acredito em gente. Gente boa deve cuidar do que precisa de gente: negociar, decidir, atender bem, criar. O desperdício é gastar o tempo dessas pessoas, e o seu, procurando informação e correndo atrás de resposta.
Um exercício de 15 minutos
Antes de mudar qualquer coisa, vale medir. Na sexta-feira, separe papel e caneta e faça assim:
- Liste o que você correu atrás durante a semana: pedido atrasado, fornecedor que não respondeu, boleto que ninguém achou, cliente perguntando de novo.
- Ao lado de cada item, anote onde estava a informação: ERP, banco, e-mail, WhatsApp, planilha ou a cabeça de alguém.
- Marque com D, de decisão, o que precisou mesmo de você: um desconto, uma negociação, uma conversa difícil.
- Marque com C, de correria, o que era só buscar, juntar, avisar e perguntar de novo.
- Conte as duas letras.
Meu palpite é que a letra C vai ganhar com folga. É ali que mora o custo escondido, e é essa a parte que dá para tirar do seu prato sem perder o controle. As decisões continuam suas.
O que o Will tira do seu prato
Foi por isso que eu criei o Hey Will. Ele nasceu na minha própria empresa, para tirar essa correria do meu dia. A ideia é simples: toda empresa merece um braço direito que conheça os sistemas, corra atrás das coisas entre sistemas e pessoas e só chame quem precisa decidir.
O Will trabalha nos sistemas que a empresa já usa. Numa loja como a Lume Casa, um exemplo fictício, isso quer dizer o Bling, a Nuvemshop, o Mercado Livre, os bancos pelo Open Finance, o Gmail, o WhatsApp e o ClickUp. Lembra da letra C? É dela que o Will cuida:
- Pedido atrasado: o Will acha no Bling o que não saiu, descobre o motivo e avisa quem precisa saber.
- Fornecedor que não respondeu: ele cobra pelo Gmail ou pelo WhatsApp, com o pedido e a data na mensagem, e volta a cobrar no dia combinado.
- Boleto que ninguém achou: ele encontra no e-mail, confere com o extrato do banco pelo Open Finance e põe na lista de pagamentos da semana.
- Cliente perguntando de novo: ele junta o pedido na Nuvemshop, a nota no Bling e o rastreio no Melhor Envio e responde com a data certa.
Quando termina, o Will diz o que fez e de onde tirou cada informação. Você decide o que ele faz sozinho e o que ele traz para você. Pagamentos e o que você marcar como sensível sempre passam por você, e tudo fica com recibo.
Sobra para você a letra D: negociar, decidir, atender bem, criar. Se a correria da sua empresa parece com essa, comece com o Will e conte o que você corre atrás na mão. É por aí que ele começa.
Sobre o autor
Wilquison Filho é fundador do Hey Will. Escreve sobre o dia a dia de quem toca uma empresa no Brasil. Conheça o Hey Will.
Para ir além: o glossário de IA para empresas e os guias passo a passo.